quinta-feira, 16 de junho de 2022

Dizer mal do que não conhece

Uma cabeleireira invejosa que residia numa

 tosca aldeia de onde nunca  tinha saído. 

Ela só sabia dizer mal mesmo daquilo que

 desconhecia. Mas sua cliente trouxe-lhe a

 resposta. 

Sandra foi cortar o cabelo simples salão 

de cabeleireira que freqüentava há mais de

 vinte anos.

- A Menina parece estar ansiosa!...

 -Vou para Itália amanhã!

- Itália?- perguntou a cabeleireira
-Com tanto lugar bom para ir, Tu vai

 para Itália?
- É, eu vou pela Alitalia.
- Porcaria, a pior companhia de aviação

 do mundo. Vai para que cidade?
- Roma..
- Que merda! Cidadezinha feia! Vai se

 hospedar aonde?
- No Hotel Hilton.
-  Aquilo é o maior espelunca da Italia!

 Vai ver o papa?
- Claro!
- Programinha de Índio, hein! Milhões

 De pessoas se acotovelando só para ver

o papa.

Sandra saiu do salão injuriada.

No dia seguinte, viajou e curtiu a viagem,

que foi óptima. Logo que voltou, fez questão

 de voltar ao salão.
- E como foi a viagem? Perguntou a cabeleireira.
- Você não sabe o que me aconteceu.

Eu estava lá no Vaticano tentando ver o papa. Logo

 que o papa chegou na sacada, ele olhou para

multidão e desceu. Saiu de lá e começou a andar

 na minha direção. Foi se aproximando de mim

cada vez mais.
Quando o Papa chegou bem pertinho, falou um

 pouco no meu ouvido. Só para mim!
- E o que o papa falou para você?
- Cabelinho tão mal cortado, hein, minha filha?

 QUE MERDA DE CABELEIREIRA  É  A TUA!

 

Relatos de uma professora que lecionou nos anos1950

 Quando os alunos lhe pediam papel hiénico

 para limpar o rabo e roupa usada. Um dos textos

que lhe custou a  escrever e por isso tem mais

lágrimas do que palavras.
Estávamos ainda no século XX, no longínquo

ano de 1955 quando a vida me deu oportunidade

de cumprir um dos meus sonhos: ser professora.

Dei comigo numa escola masculina, ali muito

Próximo do rio Sabor. Muito longe, da minha casa,

em Mirandela, eu era ainda uma menina

da cidade com algum mimo, muitas rosas na alma,

 e tinha apenas 19 anos. Nada me fazia pensar

tanta esperança e tanta alegria me trariam tanta

 vida e tantas lágrimas. Os meninos afinal eram

homens com calos nas mãos, pés descalços e um

pedaço de pao no bolso das calças remendadas.

As meninas eram mulheres de tranças feitas ao

 domingo de manhã antes da missa, de saias de

cotim, braços cansados de dar colo aos irmãos

mais novos, e de rodilha na cabeça para aguentar

 o peso dos alguidares de roupa para lavar no rio

 ou dos molhos de erva para alimentar o gado.
As mães eram mulheres sobretudo boas

eugenéticas que davam origem a grandes prole ,

 gente que trabalhava de sol a sol e até de noite a

 de noite durante o inverno.

Alguns casais esperavam a sorte de alguém

levar uma das suas cachopas para a cidade,

 “servir” para casa de gente de posses. Seria

 menos uma malga de caldo para encher e uns

tostões que chegavam pelo correio, no final de

cada mês.
Os homens eram jornaleiros ganhavam 15 escudos

 por dia que correspondem hoje a sete centimos do

euro. Os homens serviam-se das suas mulhers

 pela madrugada, mesmo que fosse no aido das

 vacas enquanto os filhos dormiam

(quatro em cada enxerga), cultivavam as leiras

que tinham ao redor da casa, ou perto do rio e

nos dias de invernia, entre um jogo de sueca

e duas malgas de vinho que na venda fiavam

até receberem a féria, conseguiam dar ao seu

dia mais que as 24 horas que realmente ele

tinha. Filhos, eram coisas de mães e quando

corriam pró torto era o cinto das calças do pai

 que “inducava” … e a mãe também “provava

 da isca” para não dizer amém com eles…E os

filhos faziam-se gente.
E era uma festa quando começavam a ler as

letras gordas dum velho pedaço de jornal

 pendurado no prego onde penduravam os

 casacos…

o menino já lia.. ai que ele é tão fino… se deus

 quiser, vai ser um homem e ter uma profissão!
Ai como a escola e a professora eram coisas

tão importantes!
A escola que ia até aos mais remotos lugares,

 ao encontro das crianças que afinal até nem

tinham nascido crianças…eram apenas mais

braços para trabalhar, mais futuro para os pais

em fim de vida, mais gente para desbravar os

 todos os terrenos, mais vozes para cantar

em tempo de colheitas.
E os meninos ensinaram-me a ser gente, a

lutar por eles, a amanhar os peixes do rio sabor,

 a grelhar o sável nas pedras do rio aquecidas

 pelas brasas, a rir de pequenas coisas, a sonhar

com um país diferente, a saber que ler e

escrever e pensar não é coisa para ricos

 mas para todos.
E por lá vivi e cresci durante três anos e por

 lá fiz amigos e por lá semeei algumas flores

 que trazia na alma inquieta de jovem que

 julgava conseguir fazer um mundo menos

desigual.
E é deste povo que tenho saudades. O povo

que lutou sem armas, que voou sem asas,

que escreveu páginas de Portugal sem saber

as letras do seu próprio nome.
Hoje, o povo navega na internet, sabe a marca

e os preços dos carros topo de gama, sabe os

nomes de quem nos saqueia a vida e suga o

sangue, mas é neles que vai votando enquanto

continua á espera de um milagre de Fátima,

duns trocos que os velhos guardaram, do dia

 das eleições para ir passear e comer fora, de

 saber se o jogador de futebol se zangou com

a gaja que tinha comprado com os seus milhões,

 e é claro de ver um filmezito escaldante para

aquecer a sua relação que estava há tempos

no congelador.
As escolas fecharam-se, os professores foram

quase todos trocados por gente que vende

aulas aqui, ali e acolá, os papás são todos

doutores da mula russa e sabem todas as

técnicas de educação mas deseducam os

seus génios, os pequenos /grandes ditadores

que até são seus filhinhos e o país tornou-se

 um fabuloso manicómio onde os finórios são

 felizes e os burros comem palha e esperam

pelo dia do abate.
Sabem que mais?!
Ainda vejo as letras enormes escritas no

 quadro preto da escola masculina, ao final

 da tarde de sábado, por moços de doze e

treze anos com estes dois pedidos que me

 faziam: “Professora vá devagar que a estrada

 é ruim, e não se esqueça de trazer na

 segunda-feira, papel macio pró rabo e roupa

boa dos seus sobrinhos prá gente”.
Esta gente foi a gente com quem me fiz gente.
Hoje, não há gente… é tudo transgénico .
O povo adormeceu à sombra do muro da eira

que construiu mas os senhores do mundo

estão acordadinhos e atentos,

escarrapachados nos seus solários

 “badalhocamente” ricos e extraordinariamente

 felizes porque inventaram máquinas e

reinventaram novos escravos.
Dizem que já estamos no século XXI...”


sábado, 21 de maio de 2022

 A última Aula de um Grande Professor

 que desistiu de dar aulas a péssimos

alunos.

 Leonardo Haberkorn, jornalista e

 escritor, era professor numa

 universidade de Montevideo.

 Corre na internet um artigo seu

 publicado em papel, em 2015, com

 o título "Me cansé... me rindo...",

onde declara ter deixado o ensino,

 que antes o apaixonava, e explica

porquê.

Tomámos a liberdade de o traduzir,

 pois, por certo, ele tocará muitos

 professores e directores de escolas

 portuguesas. Desejável é que tocasse

 instâncias superiores e, de modo

mais alargado, a sociedade.

"Depois de muitos e muitos anos, hoje

 dei a última aula na Universidade.

Cansei-me de lutar contra os telemóveis,

 contra o whatsapp e contra o facebook.

 Ganharam-me.

Rendo-me. Atiro a toalha ao chão.

Cansei-me de falar de assuntos que me

 Apaixonam perante jovens que não

 conseguem desviar a vista do telemóvel

que não pára de receber selfies.

Claro que nem todos são assim.

Mas cada vez são mais.

Até há três ou quatro anos a advertência

 para deixar o telemóvel de lado durante

90 minutos,ainda que fosse só para não

 serem mal-educados, ainda tinha algum

efeito.

Agora não. Pode ser que seja eu, que me

 desgastei demasiado no combate. Ou que

 esteja a fazer algo mal.

Mas há algo certo: muitos desses jovens não

 têm consciência do efeito ofensivo e doloroso

 do que fazem. Além disso, cada vez é mais difícil

explicar como funciona o jornalismo a pessoas

que o não consomem nem veem sentido em

estar informadas.

Só uma estudante entre 20 conseguiu explicar

 o básico de um conflito. O muito básico. O resto

 não fazia a mais pequena ideia. Perguntei-lhes

(...) o que se passa na Síria? Silêncio. Que

 partidos há nos USA na Rússia quem ganhou

as eleições nos USA, na Rússia, França,

Alemanha, Inglaterra, etc. E quem eram os

 Seguintes escritores de fama mundial:

Cervantes, Vitor Hugo, Camões, Vargas Llosa,

Willian Shakespeare, etc.

Alnos estão tão desinformadas para exercerem

 Qualquer profissão é complicado.

É como ensinar botânica a alguém que vem

de um planeta onde não existem vegetais.

Num exercício em que deviam sair para

 procurar uma notícia na rua, uma estudante

 regressou com a notícia de que se vendiam,

 ainda, jornais e revista na rua.

Chega um momento em que ser jornalista é

 colocar-se na posição do contra. Porque está

 treinado a pôr-se no lugar do outro, cultiva

a empatia como ferramenta básica de trabalho.

E então vê que estes jovens, que continuam a

ter inteligência, simpatia e afabilidade, foram

 enganados, a culpa não é só deles. Que a

 incultura, o desinteresse e a alienação não

nasceram com eles.

Que lhes foram matando a curiosidade e que,

com cada professor que deixou de lhes corrigir

as faltas de ortografia, os ensinaram que tudo

 é mais ou menos o mesmo. Então, quando

compreendemos que eles também são vítimas,

 quase sem darmos conta vamos baixando a

 guarda.

E o mau é aprovado como medíocre e o

medíocre passa por bom, e o bom, as poucas

 vezes que acontece, celebra-se como se fosse

 brilhante. Não quero fazer parte deste círculo

 perverso. Nunca fui assim e não serei assim.

O que faço sempre fiz questão de o fazer bem.

 O melhor possível. E não suporto o desinteresse

face a cada pergunta que faço e para a qual a

 resposta é o silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio.

Eles queriam que a aula terminasse. Eu também."

“Talvez o pior de tudo isto, seja o

 facto de aqueles alunos irem ser

Adultos amanhã, sem terem crescido

 nem amadurecido, cheios de Direitos,

sem Deveres nem Responsabilidade…

 alguns até Políticos ou Governantes”

O homem precisa da Natureza para sobreviver, 

mas a Natureza não precisa do homem para nada...!

 



  SABEDORIA DE PAI

 

O filho roqueiro de um pastor de uma igreja,

estava prestes a completar 18 anos.
O rapaz, cabelos compridos e louco para conduzir.

Resolve pedir o carro emprestado ao pai.

Depois de pensar um pouco, o pastor responde:
- Filho, vamos fazer o seguinte... um contrato...

Se tu melhorares tuas notas na escola, estudares a

 Bíblia todos os dias e cortares esse grande cabelo.

E depois voltamos a conversar sobre isso.
Um mês depois, o rapaz volta a perguntar ao pai

Se já pode usar o carro.
- Filho, eu estou realmente orgulhoso... tu tiraste

 boas notas na escola e estudaste bem a Bíblia,

 mas... não cortaste o cabelo! E como foi o
nosso contrato?
- Pai, lendo a Bíblia, eu fiquei até intrigado,

com  as exigênicias do pai.

- responde o filho.
-Por que Sansão, Moisés usavam cabelos longos,

 Noé também.

 Até Jesus usou cabelos muito compridos!

E todos eram boas e famosas pessoas...!
E o pai:
É verdade meu filho... e, ... olha que coincidência!

TODOS ELES ANDARAM SEMPRE A PÉ !

Aluno que surpreendeu o professor

E ainda dizem que os alunos estudam pouco! Este

 surpreendeu o professor! Quando lhe perguntou

quem foi Henrique Galvão?

-Henrique Galvão, este indivíduo assaltou e desviou

o rumo do navio turístico português Santa Maria por

ser contra a política autocrata de Salazar.

Num outro dia, no liceu, numa aula de História,

 o professor perguntou ao mesmo aluno:

- Diga-me, menino Rui, qual foi o português que,

ao longo da sua vida, lidou mais de perto com os Santos?

O aluno pensa durante alguns momentos, respondendo

 por fim:

- Também foi Henrique Galvão, senhor professor!

- Então porquê?

O aluno:

- Porque nasceu freguesia de Santa Isabel-Lisboa, no dia

 de Santo Hilário.

 Na freguesia de Catarina frequentou a escola como nome

 Santa Filomena.

Morava no Campo de Sant'Ana, deu uma queda no Poço

 do Bispo e foi socorrido no Hospital da Ordem Terceira de

 São Francisco!

- Admirou-se o professor. Foi preso e julgado no Tribunal de

Santa Clara, pelo juiz Santiago.

Esteve internado sob prisão no Hospital de Santa Maria, de onde

 fugiu no dia de Todos os Santos.

Quando, assaltou o paquete Santa Maria, ao qual deu o nome

de Santa  Liberdade.

Passou pela Ilha de Santa Lúcia, a caminho de terras de

Santa Cruz -Brasil.

Fixou residência em São Paulo, na Rua de Santa Teresinha,

Onde viveu exilado, por causa de um "Santo" António que

 vivia em São Bento e era natural de Santa Comba.